Fui no Rails Girls, e agora?

Esse ano a edição do Rails Girls São Paulo aconteceu no fim de semana passado, nos dias 18 e 19 e foi no espaço roxinho da Nubank. Em 2015, eu fui como participante (você pode conferir minha experiência aqui neste post) e este fui como coach, uma promessa que tinha feito pra mim mesma. Foi uma experiência que acredito que todos devam passar, pois o pouco que sabemos (ou que achamos saber) pode ajudar alguém e mudar a vida de todos nesse processo.

Uma das coisas que mais me deixam feliz nesses projetos voltados a incentivar mulheres a programar é a temática dos projetos que as participantes sugerem. É incrível a quantidade de ideias e propostas que surgem da realidade das pessoas que não são representadas na tecnologia. Eu sempre acreditei no poder da tecnologia e do conhecimento para mudar a vida de muita gente e ver isso na prática me deu mais gás para seguir com os meus projetos e espero que você também 😀

Bom, a intenção deste post é dar uma sugestão de guia para quem quer continuar a programar com Ruby on Rails. Desde já, aviso que é bom você não perder contato com sua coach, pois as dúvidas surgirão e é fácil querer desistir diante de um problemão que não temos ideia de como resolver. Mas com paciência, você chega lá e é muito importante ter uma mentora no início, acredite em mim.

Minha dica é separar um horário por dia, como por exemplo, 30min por dia. Pode parecer pouco, mas não subestime suas escolhas do dia a dia e o impacto que isso traz daqui uns anos na sua vida, 🙂 O ideal é praticar todo dia, assim você relembra mais facilmente o que você fez e praticando diariamente você se compromete consigo mesma, que tal?

Os projetos que sugiro são:

1 – Agile Web Development with Rails

Livro muito bom (de graça!) que ensina a construir um e-commerce, usando metologias ágeis, testes e git :). Muito bom para dar continuidade ao que vocês aprenderam.

2 – The Odin Project

Conheci esse projeto uns dias atrás, é muito bom! E tem uma comunidade bem ativa também, portanto, dúvidas são comuns e você pode conhecer outras pessoas que estão aprendendo também. Já se inscreve e faça um pouquinho de cada vez.

3 – Code School

Esse site é pago, mas se você puder/quiser investir, recomendo. Alguns cursos sao gratuitos, mas a maioria é pago.

4 – RubyThursday

Site muito bom que conheci mês passado. Nas quintas você recebe uma newsletter com tutorias curtinhos, dicas e truques para quem está começando uma carreira de desenvolvodera Rails 🙂

Bom, não adianta nada encher aqui de links, no começo pode assustar, então, se quiser começar nessa ordem, acho uma boa. E sempre lembre que o Google e o StackOverflow serão suas melhores companhias a partir de agora. Só vá com calma, entenda que leva um tempinho até tudo começar a fazer sentido, mas se você gostou de programar, então tudo isso vai valer a pena e é um processo muito bacana. Espero vocês como coaches nas próximas edições, combinado?!

PS. Fui coach junto com a Débora (manja muito de Rails :P) e meu time foi o da Henritta Swan Leavitt (os nossos dos times eram de mulheres cientistas 😀 e tem uma fotinha desse time maravilhoso que tenho orgulho de dizer que fiz parte) e o nosso projeto foi o de listar centro de doações no Brasil, o Doe Felicidade. O código está no github, então, quem quiser contribuir, fique à vontade! É bem legal dar continuidade à ideia, pois você aprende, monta um portfólio e ajuda muita gente por aí <3

 

 

#VamosJuntas

Um pouco da história das mulheres na computação

Programming requires patience and the ability to handle detail. Women are ‘naturals’ at computer programming – Grace Hopper

Desde mesmo antes de mudar para TI, eu queria compreender mais sobre como a área de Computação, antes tão receptiva para as mulheres, hoje se tornou uma área masculina, estereotipada e violenta (veja isso e isso).

Na matéria de Introdução à Computação, estamos desenvolvendo uma pesquisa relacionada à evolução da Computação e decidi estudar mais sobre a participação das mulheres no desenvolvimento dessa ciência. Assim que o trabalho estiver pronto, posto aqui (também faremos um vídeo e acho que vocês vão curtir).

Nathan Ensmenger (2010) fala que historiadores da computação só começaram a reconhecer a contribuição crucial das mulheres para a área no começo dos anos 90. Isso justifica o pouco material publicado sobre o assunto. Estou aprendendo coisas muito legais e daqui a pouco compartilho com vocês.

Para terminar, essa foto de uma matéria da Cosmopolitan, de 1967. que espero servir de inspiração para vocês <3

Computer Girls

Sejamos todos Feministas – Chimamanda Ngozi Adichie

> Se repetimos uma coisa várias vezes, ela se torna normal. Se vemos uma coisa com frequência, ela se torna normal. Se só os meninos são escolhidos como monitores da classe, então em algum momento nós todos vamos achar, mesmo que inconscientemente, que só um menino pode ser o monitor da classe. Se só os homens ocupam cargos de chefia nas empresas, começamos a achar “normal” que esses cargos de chefia só sejam ocupados por homens.

> Os seres humanos viviam num mundo onde a força física era o atributo mais importante para a sobrevivência; quanto mais forte a pessoa, mais chances ela tinha de liderar. E os homens, de uma maneira geral, são fisicamente mais fortes. Hoje, vivemos num mundo completamente diferente. A pessoa mais qualificada para liderar não é a pessoa fisicamente mais forte. É a mais inteligente, a mais culta, a mais criativa, a mais inovadora. E não existem hormônios para esses atributos. Tanto um homem como uma mulher podem ser inteligentes, inovadores, criativos. Nós evoluímos. Mas nossas ideias de gênero ainda deixam a desejar.

> A questão de gênero é importante em qualquer canto do mundo. É importante que comecemos a planejar e sonhar um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens mais felizes e mulheres mais felizes, mais autênticos consigo mesmos. E é assim que devemos começar: precisamos criar nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos criar nossos filhos de uma maneira diferente.

> Quanto mais duro um homem acha que deve ser, mais fraco será seu ego. E criamos as meninas de uma maneira bastante perniciosa, porque as ensinamos a cuidar do ego frágil do sexo masculino. Ensinamos as meninas a se encolher, a se diminuir, dizendo-lhes: “Você pode ter ambição, mas não muita. Deve almejar o sucesso, mas não muito. Senão você ameaça o homem. Se você é a provedora da família, finja que não é, sobretudo em público. Senão você estará emasculando o homem.” Por que, então, não questionar essa premissa? Por que o sucesso da mulher ameaça o homem? Bastaria descartar a palavra — e não sei se existe outra palavra em inglês de que eu desgoste tanto — “emasculação”. Uma vez, um nigeriano conhecido meu me perguntou se não me incomodava o fato de os homens se sentirem intimidados comigo. Eu não me preocupo nem um pouco — nunca havia me passado pela cabeça que isso fosse um problema, porque o homem que se sente intimidado por mim é exatamente o tipo de homem por quem não me interesso. Mesmo assim, fiquei surpresa. Já que pertenço ao sexo feminino, espera-se que almeje me casar. Espera-se que faça minhas escolhas levando em conta que o casamento é a coisa mais importante do mundo. O casamento pode ser bom, uma fonte de felicidade, amor e apoio mútuo. Mas por que ensinamos as meninas a aspirar ao casamento, mas não fazemos o mesmo com os meninos?

> É como eles [os homens] se justificam para os amigos, e no fim das contas isso serve para comprovar a sua masculinidade — “Minha mulher disse que não posso sair todas as noites, então daqui pra frente, pra ter paz no meu casamento, só vou sair nos fins de semana”. Quando as mulheres dizem que tomaram determinada atitude para “ter paz no casamento”, é porque em geral desistiram de um emprego, de um passo na carreira, de um sonho.

> Ainda hoje, as mulheres tendem a fazer mais tarefas de casa do que os homens — elas cozinham e limpam a casa. Mas por que é assim? Será que elas nascem com um gene a mais para cozinhar ou será que, ao longo do tempo, elas foram condicionadas a entender que seu papel é cozinhar? Cheguei a pensar que talvez as mulheres de fato houvessem nascido com o tal gene, mas aí lembrei que os cozinheiros mais famosos do mundo — que recebem o título pomposo de “chef” — são, em sua maioria, homens.

> Algumas pessoas me perguntam: “Por que usar a palavra ‘feminista’? Por que não dizer que você acredita nos direitos humanos, ou algo parecido?” Porque seria desonesto. O feminismo faz, obviamente, parte dos direitos humanos de uma forma geral — mas escolher uma expressão vaga como “direitos humanos” é negar a especificidade e particularidade do problema de gênero. Seria uma maneira de fingir que as mulheres não foram excluídas ao longo dos séculos. Seria negar que a questão de gênero tem como alvo as mulheres. Que o problema não é ser humano, mas especificamente um ser humano do sexo feminino. Por séculos, os seres humanos eram divididos em dois grupos, um dos quais excluía e oprimia o outro. É no mínimo justo que a solução para esse problema esteja no reconhecimento desse fato.

Clique aqui para ler o livro gratuito ou assistir ao Ted Talk.

Minhas Inspirações para 2016

Pois bem, chegou ao fim esse ano maravilhoso de 2015 e nada como buscar inspirações para 2016, né? Como inspiração nunca é demais, resolvi fazer a minha e compartilhar aqui. O objetivo desse post não significa que eu queira ser como elas, mas servir como um lembrete da importância de se ter um propósito e muita força de vontade na vida, e como essas coisinhas juntas fazem a diferença na vida das pessoas. Aí vão as mulheres que quero continuar a acompanhar mais em 2016:

Beyoncé

Diva total, empresária, simplesmente mantendo-se nas paradas desde 1997 e sempre inovando. Ao mesmo tempo em que canta e dança no mundo todo, mostra a importância de cultivar boas relações com as pessoas.

Emma Watson

emma

Sempre a achei linda e muito simpática, não vou mentir. Ela é formada em Literatura Inglesa e sempre posta mensagens carinhosas para seus seguidores sobre continuar firme nos estudos. É a embaixadora da Boa Vontade da Agência ONU Mulheres e lançou a campanha #HeforShe. Você pode e deve conferir o discurso que ela fez esse ano sobre feminismo no lançamento da campanha e se inspirar com as palavras dela.

Amy Poehler

Um dos melhores livros que já li <3

Atriz, comediante, escritora, mãe de dois menininhos lindos e muito mais, Amy é uma grande inspiração para mim. Mantém a Amy Poehler Smart Girls com mensagens de apoio a meninas do mundo inteiro, ensinando amor próprio e desconstruindo os padrões que a sociedade impõe às meninas.

Malala

Ganhou um prêmio Nobel aos 17!

Não sei nem o que falar da Malala. O livro dela é obrigatório e muito inspirador. Ela luta para que todas as crianças do mundo tenham acesso à Educação de qualidade, luta que deve ser de todos nós. Sinto-me aliviada em saber que existem pessoas assim nesse mundo.

Thaís Godinho

A Thaís publica no Vida Organizada e ajuda milhares de pessoas a se organizar na vida com o método GTD – Getting Things Done, do David Allen. Se você não a conhece, procure agora e não vai se arrepender. Ela vai servir de grande ajuda para as minhas metas de 2016.

Chimamanda Ngozi Adichie

Ficou mundialmente famosa com o trecho do seu livro Sejamos todos Feministas em Flawless, da Beyoncé. A Wikipédia diz que ela “é reconhecida como uma das mais importantes jovens autoras anglófonas que está tendo sucesso em atrair uma nova geração de leitores de literatura africana”.

Sue Black

Eu tive a sorte de conhecer a Sue esse ano num evento do Women in Tech e ela é maravilhosa. Muito simpática, ela transmite uma vontade de sair mudando o mundo. Sozinha com filhos pequenos para criar, ela decidiu fazer Ciência da Computacação e percebeu que era uma das pouquíssimas mulheres nessa área. PhD em Engenharia de Software, hoje é uma das 50 mulheres no topo das carreiras de TI na Europa.

Camila Achutti

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Também tive o prazer de conhecer esse ano, no mesmo evento que a Sue. A Camila luta para que meninas se sintam atraídas a programar e mudar o futuro. Conheça mais dela no Mulheres na Computação.

E você, já traçou suas metas para 2016? Quem mais vai te ajudar a alcançá-las? 🙂

O que significa ser feminista?

Inaugurando a seção Feminista do blog, decidi reunir algumas coisas legais e úteis que andei lendo por aí nesse post inicial (sim, vários estão por vir! 🙂 ) Longe, muito longe de ser uma abordagem profunda, mas esse post é fruto de alguns diálogos que já participei por aí.

Primeiramente, acredito ser de grande importância definir o que eu entendo por Feminismo. Isso mesmo, EU. Para começar, não existe um movimento único que possamos chamar de Feminismo. O Feminismo é um movimento plural e muito abrangente. Existem várias teorias feministas e aí cabe a você identificar a que você mais se identifica. Eu defendo a teoria feminista que luta pela igualdade social, política e economômica dos sexos. Sim, a diva Beyoncè internacionalizou essa parte do livro da Chimamanda que você pode baixar de graça aqui. Esse livro deveria se tornar obrigatório a partir do momento em que aprendemos a ler, btw. É muito didático e fácil de ler.

Atualmente a palavra “feminista” é vista como algo negativo, como um movimento de mulheres que querem acabar com os homens. Existe essa corrente sim, mas não é a que eu sigo e é a que considero longe de ser a ideal. Assim, vejo muitas mulheres dizendo que não são feministas porque não odeiam os homens. Amiga, saia um pouquinho da sua zona de conforto que vai valer a pena, prometo.

Se você teve acesso à Educação e, principalmente à internet, e ainda assim acha que o Feminismo é descenessário, bom, é por causa de pessoas como você que o movimento existe. Quando somos privilegiados, temos a tendência de achar que todas nossas conquistas foram por mérito, mesmo que a realidade grite na nossa cara. É difícil, mas necessário sair da zona de conforto mesmo. Para simplificar, olhando a imagem a seguir, responda o que você pensa e veja se você é feminista.
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Visualmente é mais fácil de explicar, não é mesmo? Ah, e se você é homem e quer saber mais como ajudar as mulheres, dê uma olhadinha neste post maravilhoso aqui.

Quando vemos a fundo a proposta das teorias feministas, percebemos que a luta é por igualdade de gênero, seja você mulher, homem ou trans. A sociedade machista atual é mais violenta com as mulheres, claro, mas todos sofrem com essas imposições (se você for homem e não concorda com o alistamento militar, amigo, reúna os parceiros e lutem para que isso deixe acontecer. Nós, mulheres, já temos tanto na agenda ><. Porquê é difícil entender isso?).

É um longo caminho, certamente, mas agora que você já sabe o que significa ser feminista, vamos lutar juntos?

Rails Girls SP 2015!

Esse final de semana, dias 27 e 28, aconteceu o Rails Girls São Paulo 2015! Passaram-se três anos desde a última edição e nem preciso dizer o quanto fiquei feliz quando vi minha confirmação de inscrição (nesse mesmo fim de semana estava rolando uma edição das PyLadies e das MinasProgramam também!)

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As Rails Girls surgiram na Finlândia, já contam atualmente com vários grupos no mundo inteiro e têm o objetivo de dar oportunidade para mulheres de compreenderem tecnologia, como ela é feita e tirar suas idéias do papel! Quantas vezes você não deve ter sentido falta de um App, por exemplo, e não faz porque não sabe programar? Vocês podem ver o site delas aqui e lá podem conferir todos os eventos que acontecem no mundo inteiro 😀

Eu participando e meu namorado ajudando como coach o/

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Mas falando da edicão SP 2015, posso dizer que experiência foi simplesmente maravilhosa. Ver um grupo de pessoas unindo forças e conhecimento para levar programação para um grupo de mulheres porque acreditam na causa é muito inspirador.  Tudo foi feito de forma que as meninas não vejam programação como um bicho de sete cabeças e Rails facilita muito isso. O melhor de tudo, foi certamente, conhecer meninas maravilhosas e poder aprender tanto em tão pouco tempo.

O BankFácil disponibilizou o espaço e todos estavam lá para ajudar também. Teve sorteio de livros, de treinamentos e de mentoria. Abaixo algumas fotos para vocês sentirem um pouco como foi. Dá para ver como o ambiente estava muito legal e muitas meninas com vontade de aprender (eu inclusive super animada o/)

Os meus coachs foram maravilhosos, nos ajudaram muuito e tiveram muita paciência (Valeu Regis e Raquel!). Saíram projetos muito legais e vontade de continuar desenvolvendo. Sem contar as apresentações maravilhosas da Dhiana Deva, da Ana Carolina e da Alda, né? E as camisas e os adesivos? <333 Ah, se você usa e gosta de Rails e quer ajudar meninas a aprenderem, você mesmo pode organizar um evento. Dá uma olhada aqui.

Para 2016, ficamos todas com a vontade de organizar edições com mais frequência (além de uma coreografia de Single Ladies que foi consenso entre todas que ficou faltando xDD). Se você quiser acompanhar mais, siga as Rails Girls SP no Facebook e no Twitter.

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Deixo aqui o gostinho de querer saber mais sobre Rails, com certeza você não vai se arrepender!